
Domingo, 05 de fevereiro de 2012
Aos 21 anos, o goleiro Paulo Rafael traz no currículo um acesso, justamente o maior anseio de todos os torcedores do Paysandu. Ano passado ele fez parte do elenco do Sport Recife que subiu da Série B para a A. Era o terceiro goleiro e foi titular em apenas uma partida, o suficiente para lhe render muitos elogios. "É o mesmo gosto de um título", diz. Oriundo da base bicolor, Paulo Rafael fez o caminho inverso da maioria, para ter uma chance na Curuzu. Teve que ir para outro clube para ser reconhecido e voltar por empréstimo, já valorizado.
A paixão pelo clube pesou na hora de voltar. Torcedor do Paysandu, Paulo Rafael teve que se desdobrar para se manter nos treinos quando ainda era garoto. O início na base foi complicado, tendo que trabalhar como pipoqueiro e vendedor de churrasquinho no Mangueirão e na Curuzu. No estádio estadual garante que só vendia do lado azul e branco, mas por pouco não vai para o outro lado. Ele chegou a fazer testes no Baenão, mas não passou. Em seguida, teve mais sorte no Leônidas Castro. "Aqui tive mais sorte."
Hoje o goleiro é um dos artífices da melhora do time bicolor na competição, que saiu de desacreditado a um dos que disputam vaga na semifinal do primeiro turno. O desafio é mostrar consistência depois de duas rodadas muito boas. Os favoritos ainda são os outros, mas o Papão voltou ao páreo e para ficar.
Quando você era bem garoto tinha que trabalhar para ajudar na sua casa e ter dinheiro para treinar. Conta um pouco sobre essa época.
O começo da minha carreira foi um pouco complicado para treinar na base. Eu tinha que trabalhar no Mangueirão para ter dinheiro para a passagem para ir ao Tenoné. Quando tinha jogo no Mangueirão, eu trabalhava vendendo pipoca ou churrasquinho. Não tenho vergonha nenhuma dessa época, foram as dificuldades que tive de superar. Quando não tinha dinheiro, o Nad ou o Mancha (Carlos Alberto Mancha, coordenador das categorias de base do Paysandu) me davam, tinha uns 13, 14 anos e já treinava aqui, quando não tinha jogo, o pessoal do Bengui me ajudava, me emprestava a bicicleta para vir treinar. Quem quer vencer na vida tem que passar por essas coisas.
No Mangueirão você ficava do lado A (do Remo) ou do B (do Paysandu)?
Sempre trabalhei do lado da torcida do Paysandu, que é meu time de coração. Cheguei a fazer testes no Remo, mas não passei e aqui tive mais sorte.
E quando você passou a se dedicar apenas ao futebol?
Depois que assinei o primeiro contrato, com 16 anos, tive que parar nesse trabalho. As vezes ajudava na feira com o pessoal que me ajudava, ou numa fábrica de bolsa. Em poucas vezes continuei vendendo pipoca ou churrasco no Mangueirão ou aqui mesmo na Curuzu.
Mudando para a atualidade, o que fez o Paysandu mudar tanto, e para melhorar, nas duas últimas rodadas, já que tempo para treinar não houve?
Acho que foi na conversa. Faltava acertar alguns detalhes para o Paysandu entrar de vez na competição. Além disso, as peças que chegaram encaixaram bem, como o Douglas e o Kariri. O time está engrenando para a disputa do título.
O time melhorou quando alguns jogadores mais experientes entraram. Na defesa, a presença do zagueiro Douglas foi bastante comentada por vocês. O quanto ele tem sido importante nesse momento?
Muito. Um cara experiente passa mais tranquilidade. O Douglas é um cara que já esteve em campeonatos importantes e está somando muito. Ele ajudou muito o pessoal da defesa porque procura conversar bastante com todo mundo lá atrás.
Como é a sua relação com o Ronaldo, de quem ganhou a posição e que é seu ídolo de infância?
O Ronaldo me passa muito apoio, conta dos momentos que passou aqui e diz que agora é meu momento. Ele fala sobre os detalhes dos jogos. Nós conversamos muito, nem sempre necessariamente sobre futebol. Eu escuto porque eu respeito ele demais desde que era apenas um torcedor. Quando eu subi para a base ele saiu e hoje conto como assistia os jogos dele, mesmo quando eu vendia pipoca no campo eu dava um jeito para ver ele em ação.
Ano passado você conseguiu o acesso com o Sport. A sensação é a mesma de um título?
É o mesmo gosto de um título. Um acesso é muito importante. Eu estava em cima do trio elétrico quando festejamos o acesso. Foi uma alegria enorme e vendo aquelas imagens, já com proposta para voltar, ficava imaginando como seria se fosse com a torcida do Paysandu. Quem sabe a torcida do Paysandu não faz uma festa maior ainda. Tá bom de morrer na praia. Acredito que 2012 vai ser de vitória, de conquista dos objetivos.
Fonte:
Amazônia Jornal
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