
Domingo, 05 de fevereiro de 2012
"Os garotos deram o sangue, jogaram com raça, por isso ganharam." Foi dessa forma que Nad definiu a terceira vitória do seu time no Parazão, contra o Independente Tucuruí, fora de casa, no meio da semana. O técnico bicolor tem razão ao exaltar a entrega dos jogadores nas partidas, que mesmo nas derrotas, mostraram uma postura aguerrida até aqui. Depois de ser efetuado em dezembro como treinador do Paysandu, o então técnico do sub-17 bicolor nunca escondeu que sua "praia" é treinar as categorias de base. "Estou como treinador do profissional por uma situação de necessidade que a diretoria me pediu, já que grande parte dos atletas vinham treinando comigo na base. Se quiserem me colocar de volta na base, não há problema algum. Eu sou funcionário do clube", afirma o treinador.
Em apenas seis jogos, Nad, que jogou vários anos como jogador do Paysandu - inclusive na quebra da invencibilidade de cinco anos do Remo, em 98 -, conseguiu formar uma equipe competitiva, recheada de atletas da terra, e, de quebra acabou com um tabu de quase dois anos sem vitórias no clássico RexPa. "Muitos criticaram a forma física dos jogadores, mas eles estão provando o poder de superação deles. Ganhar o clássico da forma que ganhamos demonstra que podemos tentar passos mais largos na competição", acredita o treinador, que possui uma equipe formada por 80% de jogadores da base, acrescida de alguns jogadores mais rodados. O experiente goleiro Ronaldo, que participou de grandes glórias com o Papão nos anos 2000, foi contratado para ser titular, mas acabou barrado por Nad. Motivo: o reserva imediato, Paulo Rafael, que começou na base do clube e retornou após breve passagem no Sport Recife, vinha muito bem nos treinamentos. Mesmo sendo questionado por um dos gols sofridos na derrota contra o Águia, logo na sua estreia, o arqueiro contou com o total apoio da comissão técnica do bicola, que o bancou nas demais partidas.
Além de Paulo Rafael (Salinas), Jairinho (Parauapebas), Bartola (Santa Maria), Helinton - formado no Remo - (Curuçá), Pablo (Tomé Açu), Djalma (Barcarena), Nenê Apeú (Castanhal) e Elisson (Santa Izabel), dentre outros, vieram para a capital paraense atrás de uma vida melhor, apostando no talento com a bola nos pés. A mais reluzente promessa bicolor, Bartola, com apenas 17 anos, enche a torcida - e a diretoria -, de esperanças.
Aliando velocidade, um bom chute com a perna esquerda e facilidade de entrar sem marcação na área adversária, o jogador garante que empenho não faltará para colocar o clube onde seu pai - também chamado Bartola - atuou no passado de volta a grandes conquistas. "A diretoria confia na gente (base), temos que retribuir dentro de campo. Mais alguns reforços podem vir, o que só iria qualificar o grupo", diz o jovem, aparentando uma maturidade rara para jovens de sua idade. Ao comando de Nad, a garotada do Papão tem a missão de conseguir um bom resultado dentro de campo (títulos) e também fora dele (folha salarial mais baixa). Resta saber se todo este planejamento não virá por água abaixo com uma sequência de resultados ruins.
Fonte:
Amazônia Jornal
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